Abordando o problema de fora para dentro , mesmo que os processos de corrosão externa não sejam considerados tão relevantes quanto os de corrosão interna (porque dada a natureza humana da negação de culpa, é algo que se entende que se pode imputar a terceiros) , o tema tem forte impacto no aspecto geral do produto acabado e compromete a aceitação do consumidor em termos de  aspectos mercadológicos e de imagem da marca ou do produto.

Tais fenômenos ocorrem de forma mais pontual por decorrência da interação da embalagem metálica contendo o par galvânico Ferro-Estanho na FL,  com o meio ambiente que envolve a exposição a agentes Naturais como o Ar , entre outros fatores.

É necessário lembrar de que o Ar é uma mistura de gases contendo cerca de 78% de Nitrogênio bastante inerte, 1% de outros gases e 21% de Oxigênio que muito obviamente , é o agente oxidante predominante.

Tal evidência de que existe potencial de Corrosão Externa  consequência de também fatores Não –Naturais tais como processamentos, manipulação , condições anormais de estocagem presentes em depósitos de latas vazias ou de acabados , atritos e decapamentos durante o transporte, carga compartilhada e seus contaminantes , ou da distribuição mesmo nas gondolas de supermercado, e por fim , condições desfavoráveis na casa dos consumidores particularmente em seus armários úmidos, banheiros e cozinhas ;

Seguem listados abaixo alguns fatores que influenciam a corrosão externa de embalagens de Aço em Aerossol:

  • presença de alta umidade no ambiente,
  • remanescência de umidade e de cloro , da passagem da embalagem pelo mandatório banho de teste de segurança , por vezes sem a quantidade eficaz de agentes antioxidantes necessários,
  • vapor de agua e seus contaminantes tais como efluentes gasosos ,
  • vapor superaquecido de agua em processos de esterilização para indústria alimentícia.
  • vapores ácidos ou alcalinos diversos e corrosivos tais como Dióxido de Enxofre presente em atmosferas industriais,
  • vapor de agua condensado , nos sacos plásticos que envolvem válvulas,
  • partículas em suspensão carregando íons “suspeitos”,
  • Condensação de agua e formação de “Orvalho”devido a contrastes de variação de temperatura dia-noite , em depósitos de latas vazias;
  • potenciais de condensação de agua embaixo de tampas , atuadores de sobrepor e sleeves.
  • Acidez da pele humana abaixo do pH fisiológico de 5,5: Existem pessoas com um certo “toque ácido”.
  • Íons presentes em compostos orgânicos em colas , resinas e adesivos
  • Íons presentes em rótulos e em selos termo-retráteis de PVC (sleeves) ,
  • depósitos de sais higroscópicos formando íons do tipo cloretos abaixo de 0,05% ou cloro-livre acima de 1mg/L, sulfatos abaixo de 0,3% e sulfitos mais reativos , em concentrações inferiores a 100 PPM ,
  • presença em excesso de íons cloretos dissolvidos no papelão das caixas de embarque de válvulas e dos Aerossóis acabados, mas também no insuspeito papel de origem bem desconhecida e oriundo de reciclagem , usado como separação/bandeja entre latas vazias de FL ,
  • vapores de ácidos orgânicos ,
  • resíduos de detergentes e tensoativos ,
  • prateleiras metálicas de supermercado, onde o contato direto induz a embalagem de Aerossol a se tornar um pontual anodo de sacrífício,
  • Corrosão Secundária , quando uma embalagem é afetada pela corrosão oriunda do vazamento primário de outra embalagem vizinha, na mesma caixa de embarque, no mesmo palete ou na mesma prateleira.
  • Estado superficial precário da superfície da embalagem, com perda do estanho devido a atritos no transporte ou a superfícies de paletes de baixa qualidade,
  • presença de fungos e de micróbios que se alimentam de ferro e ficam latentes em ambientes secos , até se alterar a condição de umidade relativa do Ar em condições favoráveis ao seu desenvolvimento;
  • vapor de água reagindo com micro-cristais “voadores” de Cloreto de Sódio (NaCl) no fenômeno conhecido como Maresia, etc , e em linhas gerais , tais fatores do meio ambiente podem se manifestar e passam a agir como agentes de corrosão externa ;
  • Bolhas de umidade “presas” durante processo de encolhimento de selos termo-retráteis;

 

Mecanismo de Corrosão Externa para Latas e Válvulas de Aço ( FL) de Aerossol;

O resultado de algumas destas interações potencias mencionadas acima, pode ser observado em poucos dias  na forma de pontos negros ou filetes de corrosão , descascamento do revestimento de estanho, e de oxidação com alteração da cor e brilho na superfície da embalagem do Aerossol.

Ocorre também em embalagens vazias guardadas por muito tempo em depósitos. Uma vez iniciada a reação com os íons favoráveis ao processo de corrosão, a tendência de deslocamento da reação no sentido anodo → catodo,  é de que ao se encontrar os meios eletrolíticos em condições ideais, as reações se intensifiquem, e mesmo nos produtos envasados, ou seja, é necessário todo o zelo e atenção inclusive na estocagem.  Chama-se a isto de “Catástrofes Anunciadas”, bastante previsíveis, mas pouca importância se dá até finalmente acontecer.

Tecnicamente, a corrosão externa mais comum é a do tipo Filiforme:

Ela se manifesta pronunciadamente em superfícies metálicas  revestidas com materiais orgânicos do tipo resinas e vernizes ou mesmo rótulos , onde pontos nas bordas vão se propagando em forma de filetes até se encontrarem entre sí formando figuras maiores.

Embora o mecanismo  deste tipo de corrosão filiforme , não seja totalmente conhecido, atribui-se o fenômeno a um pequeno dano (pontual) no revestimento ou verniz , para que se inicie na presença de íons de Ferro (Fe2+) provenientes da dissolução anódica do Ferro que ficam localizados numa das extremidades do filete e que acabam por se difundir por baixo do verniz (também conhecida como corrosão sub-pelicular) , na direção de algum ponto atrativo de um catodo potencial e que curiosamente , quando encontra algum obstáculo , apresenta deflexões no mesmo ângulo daquele de incidência , produzindo visualmente traçados de Arte Abstrata ou Fractais.

Quando encontram finalmente um catodo , estes reagem com íons de hidroxila formando Hidróxido de Ferro que é verde. O Hidróxido de Ferro [Fe(OH)2] por sua vez, absorve oxigênio do Ar que acaba se convertendo em Óxido de Ferro (Fe2O3), cuja cor conhecida é aquele vermelho-alaranjado de ferrugem, ou seja, houveram condições favoráveis no ambiente , com  disponibilidade de Agua e Oxigênio do meio externo , para a reação se propagar difundindo os mesmos através do verniz , até serem absorvidos pelo eletrólito latente e iniciar o processo de corrosão filiforme.

No geral as embalagens de Folha-de-Flandres (FL) comportam-se muito bem desde que se leve em conta os fatores mencionados acima e que sejam respeitadas as boas práticas industriais e condições normais de transporte e armazenamento de Aerossóis.

 

Mecanismo de Corrosão Externa para Tubos e Válvulas de ALU ;

Embalagens de alumínio por conterem predominantemente apenas um metal cuja oxidação tem a tendência de formar um filme protetivo de óxido de Alumínio, e sem o outro metal são menos susceptíveis a corrosão galvânica, contudo podem sofrer ataque externo apresentando escurecimentos , manchamentos e pontos de acúmulo de sais de corrosão em forma de pó, em áreas não envernizadas .

Seguem listados abaixo alguns fatores que influenciam a corrosão externa de embalagens de Alumínio em Aerossol:

  • presença de alta umidade no ambiente,
  • remanescência de excesso de agentes antioxidantes , quando da passagem da embalagem pelo mandatório banho de teste de segurança, com aguas inadequadas.
  • vapores alcalinos diversos e corrosivos,
  • Íons presentes em compostos orgânicos em colas , resinas e adesivos
  • Íons presentes em rótulos e em selos termo-retráteis ( sleeves) ,
  • Bolhas de umidade “presas” durante processo de encolhimento de selos termo-retráteis;
  • Resíduos de detergentes e tensoativos de caráter aniônico e alcalino,
  • a presença de Cobre aumenta em três vezes a corrosão do Aluminio porque forma a condição de par galvânico.
  • oxidação em processos de esterilização para uso em alimentos e medicamentos,
  • Corrosão Secundária , quando uma embalagem é afetada pela corrosão oriunda do vazamento primário de outra embalagem vizinha, na mesma caixa de embarque, no mesmo palete ou na mesma prateleira.
  • em linhas gerais , tais fatores do meio ambiente podem se manifestar e passam a agir como agentes de corrosão externa ;

Entender finalmente que “Par Galvânico” , não é uma”Dupla Sertaneja” de sucesso em Aerossóis.

 

Todos os Direitos autorais deste trabalho são protegidos por lei. É autorizada reprodução parcial de trechos, desde que sempre seja citada a fonte. As considerações filosóficas refletem apenas a opinião do autor ,que não está nem aí,  com a hipocrisia do politicamente correto.