Para se transformar um óxido de mineral  extraído da natureza em um metal de engenharia, se torna necessário fornecer ao mesmo : ENERGIA.

Em termos de nomenclatura ambiental atual, esta extração se chama de Depleção Abiótica.

Os processos de fundição e de metalurgia historicamente se iniciaram há cerca de 9.000 anos atrás se fazendo a conversão do carbonato de cobre , em cobre metálico usando tecnologia a base do fogo soprado até 1000°C e que permitiu a sua fusão em utensílios domésticos e agrícolas . Chamamos a esta transição de “Idade do Cobre” , e que substituiu a idade da pedra lascada. Em cerca de  3.700 a.C a adição de Estanho formando uma liga com o Cobre, permitiu o avanço para a “Idade do Bronze “ que através de armas melhores, permitiu que certos povos com tal tecnologia pudessem provar a sua “Verdade”, como sendo a mais forte do que de a “verdade dos outros” que não tinham tal tecnologia bélica.

Numa abordagem Darwinista, a “Relatividade da Verdade” funciona até hoje assim, porém com tecnologias bem melhores.

Em cerca de 1.200 a.C já existia tecnologia para fundir o Ferro e esta prevalece até hoje.

Hoje se funde melhor o mineral de Ferro em alto-forno elétrico e se obtém Alumínio a partir da Bauxita através de célula eletrolítica, onde de qualquer forma para ambos os casos   se fornece energia aos óxidos básicos , onde se separam o Oxigênio e as impurezas , do elemento metálico principal que se encontra naturalmente estável na sua forma de nível energético mais baixo , convertendo-o  numa forma mais nobre de metal de engenharia , de nível energético mais alto , porém sempre menos estável.

Todas as vezes em que houver alguma oportunidade de tal metal voltar a sua condição natural primordial de nível energético mais baixo e por conseguinte mais estável , ele sempre voltará.  A citação atemporal do Livro é comprovada  no entendimento  científico:

“Do pó vieste e ao pó retornarás” (Gênesis 3.19), independentemente de quanto dinheiro você tem guardado.

Cabe a nós da indústria de Aerossol , o esforço de entender este mecanismo básico e com isto manter o metal no seu nível energético mais alto, protegendo-o das diversas “tentações” presentes em meios aquosos como por exemplo de emulsões de cosméticos relacionados ao pecado capital da vaidade,  para que não se permita aos elétrons dos níveis mais altos do material de embalagem caírem  , formando seus indesejáveis óxidos que se apresentam como o derradeiro fato consumado dos processos de Corrosão , Vazamento e Morte do produto.

Nas aulas 2 & 3 relacionamos as barreiras de proteção e de revestimentos que a indústria de embalagens de Aerossol pode oferecer afim impedir que os graneis envasados sob pressão de propelentes dentro destas embalagens,  interajam com os metais corroendo-os.

Na aula 7 relacionamos os Fatores Externos , que ainda não poderiam ser teoricamente imputados a quem se preocupa unilateralmente somente com o que acontece “Dentro” das latas e tubos. O fabricante tem de prever o melhor possível as variáveis afim de fazer o Sistema Aerossol funcionar bem , como um todo .

O que os fabricantes de materiais de embalagens metálicas poderiam fazer, está hoje feito no Estado da Arte do nosso Tempo, até a presente data.

Faltava agora finalmente abordar a corresponsabilidade do que a áreas de P&D dos envasadores e proprietários  de marcas podem fazer em suas formulações afim de identificar vulnerabilidades e reatividades potenciais afim não contribuir com os processos internos de Corrosão em Aerossóis.

Em linhas gerais do ponto de vista de aspectos de Corrosão , todas as formulações de Aerossóis independentemente da finalidade para que são concebidos,  podem ser classificadas genericamente a partir de uma abordagem dialética aristotélica de tese/antítese , dos seguintes 37 “se” listados abaixo , a responder com:

   

                                (Sim /Não/Porque?)

  • se em função de seu pH, o granel é acido, neutro ou alcalino
  • se existe acidez livre, que é diferente de pH
  • se o granel não é nada agressivo para a embalagem,ou
  • se a acidez do granel é devida a um ácido orgânico e
  • se este é agressivo em relação a embalagem metálica,
  • se existe dissociação no granel de íons Cloro ou Halogênios, entre outros corrosivos ,
  • se existem componentes de Enxofre no granel e nos propelentes, podendo gerar compostos como Sulfeto de Estanho (SnS) de cor violeta , ou sulfeto de ferro escuro entre outros resíduos negros.
  • se o granel é de base solvente condutor não aquoso;
  • se este solvente não-condutor receber um pouco de agua, a condutividade elétrica aumenta ou não há interferência,
  • se o solvente do granel é não-condutor elétrico ,
  • se o solvente do granel é polar ou apolar
  • se o granel é de base aquosa polar e tem tendência a formar eletrólitos,
  • se o granel tem a capacidade de comprometer as propriedades de barreira do verniz isolante interno, fazendo com que componentes do granel acabem por migrar através do mesmo.
  • se os gases propelentes são liquefeitos e solúveis na formulação,
  • se os gases propelentes são liquefeitos e insolúveis na formulação, sendo necessariamente que ser emulsionados no granel,
  • se os gases propelentes são comprimidos e parcialmente solúveis, como CO2 ou N2O
  • se os gases propelentes são comprimidos e Não-Solúveis
  • se o sistema de formulação granel + propelentes , forma duas ,três ou quatro fases e com isto diversas interfaces entre sí , escalonando os pontos de corrosão ou de degradação do verniz,
  • se existe ação de formação de fase intermediária por efeito de Potencial Zeta
  • se existe mistura de propelentes
  • se existem elementos de contaminação nos propelentes e quais são,
  • se o granel é homogêneo ou heterogêneo
  • se o granel é uma suspensão de sólidos ,
  • se tais sólidos ficam constantemente dispersos e não se reaglomeram no fundo da embalagem,
  • se tais sólidos são reativos e se reaglomeram no fundo da embalagem , necessitando de agente suspensor , seja químico ou físico (bolinha)
  • se tal reaglomerado é reativo e desenvolve pH extremo,
  • se o granel sofre Oxidação e/ou Hidrólise com o passar do tempo,
  • se ocorre reação de formação de outros gases tais como hidrogênio
  • se estes gases forem ácidos e se concentrarem na câmara de expansão,
  • se o granel sofre degradação por atividade microbiológica mesmo dentro do envase,
  • se tal atividade microbiológica ocorre em meio aeróbico ou anaeróbico;
  • se a estrutura funcional da formulação previu a existência de sistema antioxidantes e conservantes , e se existe comprovação da eficácia dos mesmos,
  • se além de tais sistemas de conservação, é necessária a inserção de inibidores de corrosão suplementares
  • se o uso de tais substâncias anti-oxidantes e inibidores é aprovado pelo Ministério da Saúde , ou melhor , se seu uso pode causar riscos a saúde humana
  • se existe alguma influência do aumento da elevação da temperatura durante a passagem no banho de teste ou no forno de termo encolhimento, em reações indesejáveis no granel envasado.
  • se a presença de Ar na câmara de expansão contendo Oxigênio, é algum fator de risco na estabilidade a corrosão do Aerossol,
  • se , se , se , etc

 

sendo que as respostas diretas e objetivas, não estão no Google, e eu jamais disse que seria fácil…

O conhecimento preliminar das características da formulação de granel para Aerossóis e suas interações com os propelentes,  é fundamental para a escolha dos materiais de embalagens. Em nenhum outro aplicador/dispensador , tais escolhas são tão determinantes para o sucesso do produto acabado.

 

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