Os materiais metálicos de embalagem usados para Aerossol são subdivididos em ferrosos do tipo Aço/Folha-de-Flandres  e não-ferrosos do tipo Alumínio.

Nesta aula serão abordados aspectos gerais e as principais características químicas e de processo , que diferenciam cada tipo de embalagem metálica, com ênfase na sua composição química e seu potencial de geração de processos de corrosão.

Lata de Aço ou de Folha de Flandres (FL):

A Folha-de-Flandres é uma chapa metálica laminada constituída por baixo teor de carbono , revestido por eletrodeposição em ambos os lados por uma camada finíssima protetiva de Estanho que inclusive lhe dá um aspecto brilhante , comercialmente atraente e economicamente viável.

 

A adequação da composição química do aço que será utilizada na fabricação de Folha-de-Flandres (FL) com a finalidade de uso em embalagens de Aerossol é fundamental para assegurar características de resistência mecânica  úteis na conformação , solda , recravação ou agrafagem , sobretudo para  a resistência a pressão e também  com resistência química a corrosão, dado o quase inevitável contato direto da formulação com o metal e também a sua exposição a potencial risco de oxidação por causas naturais no ambiente de estocagem.

O aço (Ferro) utilizado para a FL de aerossol é de baixo teor de carbono (cerca de 0,06 a 0,15%) afim de conferir boas propriedades  de ductilidade, que é a capacidade de se deformar  sem se romper. Quanto mais ductil desejar que a embalagem seja , menos carbono deverá conter.

Existem ainda teores de metais dentro da composição natural do Aço ou também elementos adicionados a posterior com base em conhecimentos milenares de metalurgia , onde são agregados em pequenas quantidades controladas , formando liga com metais não-ferrosos tais como Manganês,  Fósforo , Nitrogenio, Boro , Nióbio, Silício,Alumínio , Cobre , Cálcio ,etc , sendo controlada inclusive  a presença do Enxofre que intensifica problemas de corrosão, ou seja:

A conclusão é de que a composição final de uma chapa de Folha-de-Flandres varia conforme a fonte mineral de Aço-Base de cada fabricante e de seus processos próprios dentre as diversas tecnologias de Coqueria ou Sintetização, Alto-Forno, Aciaria, granulometria no Lingotamento, capacidade de obter certas espessuras na Laminação , Decapagem, dureza e têmpera no Recozimento.

 

 

Quanto ao revestimento de Aço com metais não-ferrosos , a prática de se aplicar Estanho em ferragens com a finalidade de para proteger-las contra a oxidação e ferrugem é antiga e remonta  a um monopólio de Guildas do sec.XVII na região da Boêmia , atual Republica Checa.

Atualmente existem materiais com revestimentos diferentes que merecem ser listados e nem todos são usados comumente em contenedores Aerossóis, contudo na hora de se avaliar processos de corrosão e dadas as diferenças de custo de cada material , é bom saber o que foi comprado e o que foi entregue pelo fabricante:

  • Folha Não-Revestida (FNR) , de muito baixo custo ;
  • Folha semi-revestida , onde apenas um lado tem Estanho, baixo custo.
  • Folha “Diferencial” , tem deposição diferenciada em cada lado. A parte interna geralmente tem deposição de estanho maior. Já imaginou o que poderia acontecer na resistência a corrosão se o Transformador durante a montagem, inverter acidentalmente o lado da chapa?
  • Folha com Banho Eletrolítico de deposição de 1,1 a 11,2mg/m²de Estanho ( FL), é a configuração normal usada em contenedores Aerossol.
  • Folha de baixo revestimento de Estanho até 1,1mg/m² (LTS),de custo mais baixo do que a FL. Provavelmente é por isso que preços variam de um fabricante para outro.
  • Folha Cromada (FCR) com deposição de Cromo com cerca de 18mg/m², Importada.
  • Folha de LTS com pré-tratamento de cromo metálico (se chama WHT). Importada
  • Folha LTS com revestimento de Estanho de 0,7ª 0,8g/m² e adição 10ª35mg/m² de Níquel, também conhecida como “Folha Orvalhada”,
  • Folha Riverwel, é a Orvalhada com passivação mais eficiente. Importada
  • Folha laminada com plástico tipo PET , já disponível na peça de fundo da lata nacional.
  • Folha com revestimento epóxi branco (Latas de Chantilly). Importada

 

Depois dos processos de deposição eletrolítica onde se forma uma camada intermetálica de cerca de 80nm de uma liga de Ferro-Estanho ( FeSn2) e depois do tratamento térmico se consolida uma cristalografia/granulometria e porosidade da camada própria de Estanho livre de cerca de 400nm , segue o banho de Imersão ou de Passivação (com uma finíssima camada de 1a2nm) que inclusive ajuda a aumentar a aderência dos revestimentos e vernizes .

O processo de passivação é muito importante pois é conhecido que metais passivados reagem de 1000 a 1.000.000 de vezes mais lentamente , do que os mesmos metais não passivados.

Ao final do processo , são alinhadas e enroladas em Bobinas bem pesadas (3a4T), aguardando o corte em capas , para uso dos Transformadores.

Não é objeto deste trabalho descrever detalhadamente o processo de fabricação da chapa de FL, mas basta para este trabalho que se tenha em mente de que a FL , dependendo da sua origem nacional ou importada , pode ser físico-quimicamente diferente na composição do aço-base da chapa , nos banhos de estanho  que podem ter deposição diferencial de um lado para o outro , no banho de passivação ,na dureza e ductibilidade  , resistência mecânica final a pressão e na resistência a corrosão e enfim tantas e outras variáveis que podem conduzir a diferencias significativas em preço e principalmente na sua qualidade geral e resistência a corrosão.

A partir destas bobinas , as chapas são cortadas nos formatos adequados ao uso dos Transformadores, que são as empresas que tem processos específicos , de tecnologias próprias de maior ou menor eficiência energética , como a de imprimir e secar com longos fornos ou com curtos e modernos de radiação UV, cortar e bem soldar/costurar , flangear  e produzir o Necking nas medidas de diâmetros padronizados das latas de Aerossol formando o corpo da lata , estampando o fundo e o domo montando-as ao recravar estas de 3 peças deixando-as prontas para enviar aos envasadores.  

Ou alternativamente, como no processo de estampagem e estiramento em 2 peças, uma de Aço e outra de alumínio  chamado de DWI,  conceitualmente algo um pouco mais similar ao processo de extrusão a frio por impacto dos tubos de Alumínio e que não existe ainda no Brasil para uso em Aerossóis.

 

Não é objeto deste trabalho descrever o processo de fabricação da lata de FL esquematizado abaixo:

 

 

contudo vale mencionar que cada Transformador de acordo com os recursos que tem  e consequentemente com a tecnologia , automação e economia de escala que acaba dispondo , pode fazer latas com qualidade e eficiência diferenciada, ou seja, as latas disponíveis no mercado nacional e importado não são iguais entre sí, pois sua qualidade depende da fonte de suas matérias primas como a qualidade e espessura da chapa , de tal comprometimento com a Tecnologia e Eficiência no processo de impressão, corte , soldagem, recravação,  enfim da fabricação geral e do rigor do Nível de Qualidade Aceitável NQA, entre outras características não só técnicas, mas também de competividade comercial.

 

 

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