Os materiais metálicos de embalagem usados para Aerossol são subdivididos em ferrosos do tipo Aço/Folha-de-Flandres  e não-ferrosos do tipo Alumínio.

Nesta aula serão abordados aspectos gerais e as principais características químicas e de processo , que diferenciam cada tipo de embalagem metálica, com ênfase na sua composição química e seu potencial de geração de processos de corrosão.

Tubo de Alumínio (ALU):

As ligas de Alumínio usadas no processo de extrusão a frio de tubos de Aerossol são produzidas a partir da refusão do Alumínio primário com aditivação de elementos químicos tais como Cobre, Manganês e Magnésio para dureza  , Ferro e Silício para maior resistência a corrosão e fluidez do metal,  Magnésio+Silício , Zinco,Titânio e outros mais raros , e que tem a finalidade de conferir ao metal a ductilidade e plasticidade , necessária ao processo. A composição exata das ligas é segredo industrial dos fabricantes. Sorry.

Sempre se deve ter em mente de que o Alumínio é um material multimetálico.   Após a adição dos elementos de liga , é feita uma desgaseificação afim de se evitar a formação de bolhas de gas no metal em fase de solidificação, que poderiam criar pontos de falhas na embalagem durante a extrusão a frio, levando a ataques puntiformes e micro-vazamentos, particularmente em embalagens premidas de Aerossol.

Uma análise química e metalográfica é feita nesta fase afim de se controlar os teores da composição da liga , contaminação com objetos estranhos ao metal provenientes de resíduos de reciclados e também do tamanho dos cristais. A seleção de elementos visa dar a resistência mecânica e também à corrosão , formabilidade , ductilidade e ao mesmo tempo ser competitiva em custo, visto que em termos comerciais, o Alumínio é um material mais caro do que o Aço.

A liga de Alumínio usada em tubos de Aerossol é conhecida como 1060 ou 1070 ,e tem pureza de 99,70% a 99,83%. Dado o alto valor agregado do metal e seu excelente preço de venda , aliado ao fato de ser infinitas vezes reciclável levando a análise de ciclo de vida ACV ao conceito ideal de “Do berço ao Berço” , o que torna o Alumínio muito sustentável.

Uma vez dentro das especificações , o metal é laminado em fitas de cerca de 15 a 20cm de largura e de espessura correspondente  ao tamanho da embalagem que se espera produzir  e enrolada para aguardar a continuidade do processo de produção dos discos.

 

A partir desta “fita” de alumínio de espessura pré-determinada conforme a demanda de qual diâmetro e altura se deseja do tubo acabado , um equipamento estampa continuo e sequencialmente vários discos deste mesmo diâmetro que vão para a maquina de extrusão de impacto a frio. Pelo fato de ser usado apenas um disco como única peça para se fabricar um único tubo, esta embalagem é conhecida como Monobloco ou seja de uma só peça.

O disco é introduzido no molde e imediatamente um pistão desce em alta velocidade produzindo sua prensagem em altíssima pressão. Com o impacto e repuxamento, o alumínio escoa sendo extrudado a frio , produzindo um recipiente fechado numa das extremidades e aberto no topo .

Colocado o tubo em rotação um posterior equipamento aparador remove a borda irregular tal como rebarba reciclável  , alinhando-a  paralelamente com o fundo. Nesta operação se costuma também deixar o fundo abauluado em forma de vaso de pressão invertido, para melhorar a distribuição das forças internas , em forma de pressão dos propelentes de um Aerossol.

Tais tubos uma vez lavados em meio alcalino, descontaminados , polidos ou escovados e secos , sempre rotacionados passam pela aplicação de verniz externo de base e envernizamento interno por processo de spray com espalhamento por força centrípeta e posterior cura por alta temperatura em forno .

Tal verniz interno geralmente de base Epóxi-Fenólico Ouro ou Pigmentado , Organosol ou mesmo o menos comum no Brasil tal como o verniz Poliamida Imida PAM imprescindível para uso de propelente DME,  são elementos fundamentais para proteger o tubo e o seu conteúdo , afim de assegurar o não-contato do granel com o Alumínio, em cuja interação poderia gerar processos de corrosão. A permeabilidade dos vernizes é controlada através da medição da passagem de corrente elétrica, com parâmetros especificados, que vamos abordar mais adiante.

Proteção por Anodização interna de tubos de Alumínio , não é comum no Brasil, para embalagens de Aerossol.

 

Na fase de decoração do tubo, um equipamento de impressão aplica até 8 cores sobre o tubo, finalizando com um verniz e imediatamente entra num forno para cura e secagem.

Detalhe: durante a impressão o tubo de Alumínio o mesmo está sempre em rotação. No processo de impressão de Folha-de-Flandres a mesma é sempre feita sobre uma chapa lisa e plana, ou seja, é sempre mais fácil imprimir sobre plano , do que sobre uma superfície circular em movimento , de um tubo rotacionado.

Conclusão: Para se obter alta resolução e qualidade de impressão no Alumínio, é mais trabalhoso do que em folha lisa de lata de Folha-de-Flandres. A facilidade de impressão da lata  de FL , por ser lisa chega a ser de altíssima resolução , até de qualidade fotográfica.

A ultima fase do processo de fabricação do tubo de Alumínio se chama de Conificação , onde em numa sequencia de cerca de 15 operações (mais antigo) a 40 operações (mais moderno) , o bocal do tubo é estreitado e conformado para produzir a flange que se tornará a virola ou bocal do tubo , no diâmetro padrão mundial de uma polegada. Neste equipamento de conificação se pode produzir formatos diversificados “Shapes” , que são um bom atrativo no tubo de Alumínio. Shapes em Aço são possíveis e realizáveis , mas ainda pouco comuns em Aerossol no Brasil.

 

Concluindo para fins de diferenciação segue abaixo o que ambos os fabricantes sempre mencionam em tom de competição, e não necessariamente na mesma ordem:

Lata não é Tubo. Tubo não é Lata. E que fique claro!

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